Quantas foram, quantas não foram, essas flores que conta-mos. Lembras-te do seu cheiro? Como era doce! Nós flutuávamos no aroma da Jasmim, tão doce, no perfume das rosas, tão fatais, no suave cheiro das glicínias, dos Lírios brancos e puros.
Lembraste das cores? O azul mágico das hortênsias, que desbotavam em pontinhos que unidos faziam um mundo de suavidade e beleza, a límpida palidez dos jarros, o exotismo dos aloendros, flores filhas das noites arábicas, que tantas vezes enfeitiçaram os nossos quartos, noites quentes de Verão em que a lua crescente nos beijava com pós de desejo e paixão, as margaridas, tão singelas e pequeninas de todas as cores saltitando nos nossos passos amorosos, essa dança de inocência e imaculabilidade.
A majestade dos cravos, que exaltava a nossa paixão, a sua macieza quando nos deitávamos sobre eles. E a perfeição do nosso amor nos amores-perfeitos que jaziam nessa cama de flores que tanto serviram de leito ao fogo das nossas loucuras da juventude.
Lembras-te? Quando o meu vestido pendia nos meus ombros, independente, alvo, enquanto corríamos pela floresta cheia de Cerejeiras floridas, rosas silvestres a adivinharem namoros, os pessegueiros cujas pétalas dos botões adejavam á nossa passagem. Corríamos os terrenos mandarins, pelos trilhos das rosas da china, pelos campos de crisântemos, corríamos as índias, junto aos lagos de lótus onde os nossos corpos molhados se acostavam um ao outro olhando as estrelas.
E quando pelos prados de camélias, rosadas, níveas, áureas, desvendávamos os caminhos florais para o Japão, na seda do teu toque deleitoso. Os teus olhos negros como duas poças de oceano imenso e profundo, na oscilação do vento os teus cabelos ébano como a noite sem lua prateada, nos quais me perdi.
Exalto as flores do meu jardim, nelas vejo imagens nas quais nunca me perdi, nas quais jamais me esqueci, nos caminhos que nunca caminhei, pois nesses teus olhos negros nunca o meu reflexo se celebrizou, nunca se aclamou, apenas te olho, de longe, esperando um sorriso, e imaginando o jardim que ainda iremos plantar…
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| By Banp |

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